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Inspiração ou Recepção?

Há um tempo atrás eu ouvi o Bono dizer que quando ele e o U2 estão compondo, eles tentam interferir o menos possível nas músicas. Na época eu pensei como assim??? Hora, eu que admirava, quer dizer admiro e adoro as músicas e as letras da banda, fiquei sem entender nada. Em seguida ele disse que era como se as músicas já existissem e o trabalho deles era apenas o de captar a frequência certa e bingo, sucesso a vista. Eu continuei intrigado com essa entrevista durante anos. Aos poucos eu fui percebendo que outros músicos diziam coisas parecidas, que em certos casos eles se sentiam como uma antena, que apenas recebia um sinal e transcrevia a letra, e foi exatamente assim que o Frejat disse ter composto a letra de O Poeta Está Vivo do Barão Vermelho, quase que psicografando ao estilo Chico Xavier! Já na Academia de Cinema, em aulas de roteiro, alguns professores diziam que é maravilhoso quando, em um determinado momento, o roteiro começa a se escrever sozinho, e os personagens realmente ganham vida e começam a viver. Pois é, eu disse tudo isso porque já algum tempo eu também venho me sentindo como uma antena captando alguns sinais. Eu acho que no começo demora um pouco até você ajustar a frequência ou a sensibilidade, e também perceber o que está acontecendo para conseguir pegar um papel e uma caneta a tempo e então começar a psicografar. Hoje de madrugada, felizmente eu acordei bem no meio de uma transmissão vindo não sei da onde e meio dormindo meio acordado peguei a caneta e o bloquinho que ficam ao lado da minha cama e comecei a escrever. Realmente é um momento mágico. As idéias foram vindo e eu escrevendo, e de forma complexa elas vão se encaixando e fazendo sentido, e parece que tudo acontece naquele momento, como um telefonema que você recebe do seu subconsciente lhe passando uma receita. Ao acabar a ligação fica a dúvida, será que eu devo chamar isso de inspiração ou de recepção?

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